— Me diz uma coisa, porque justamente ontem você resolveu experimentar cocaína? Ficou empolgado com “as drogas e seus efeitos nocivos ao organismo?” Te juro cara, essa pesquisa me traumatizou. Agora tenho medo até de chegar perto de um cigarro comum. – não acreditei que Eddie ainda tinha forças pra brincar! – Ora essa cara! – me deu um tapinha nas costas. – Não fica assim não. Pra tudo tem um jeito, menos pra morte e mulher feia.
Só mesmo ele para me fazer rir naquele momento. Eu sabia que estava chateado com toda a merda que aprontei, mas percebeu que fiquei realmente arrependido e por isso não me puniu, pelo contrário, disfarçou ao máximo sua decepção.
Acho que meu arrependimento não justificava em nada a minha atitude inconseqüente. Ele deveria ter me expulsado do seu carro e nunca mais me dirigido a palavra, só que ao invés disso, tentou me animar! A primeira coisa que fez foi ligar o rádio.
— Coloque numa rádio de rock. – pedi.
— Não vou colocar em nenhuma dessas estações. – informou pegando uma fita cassete do porta-luvas. – Tenho uma rádio especial. – sorriu.
Era uma fita de música punk. Colocou quase no último volume e cantou junto quase no mesmo tom. Eu apenas o observava. Eddie era um adorador da música punk, mas chacoalhava sua cabeça como um headbanger e o que era pior, dirigia desse jeito!
Minha cabeça começou a doer. Não por causa da música, mas por puro nervosismo. Talvez efeito tardio da “ressaca”… Estava morrendo de medo de chegar até a escola e encarar Tina. Sabia que jamais me perdoaria e eu não a ia condenar por isso. No meu ponto de vista nem Eddie deveria me perdoar. É como eu disse, ele era uma pessoa e tanto. Sempre fora.
Enquanto eu me perdia no meio de meus pensamentos, rumávamos para o colégio ao som de “This is radio clash”…
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